Nova diretiva em consulta pública deixa produtores em alerta. Em causa uma limitação europeia à mistura de biocombustíveis, entre o B10 e B30.
O documento refere a proibição das misturas de biocombustíveis ao combustível tradicional, como até agora tem sido feito e é aplicado. A acontecer, poderá ser um mega retrocesso em tudo quanto toca à descarbonização na mobilidade. A medida designa-se por Fuel Quality Directive.
“Se temos uma seleção (de produtos) que já deu provas, que é uma solução para a descarbonização e com custo acessível, porque vamos agora andar para trás?”, interroga Anabela Antunes, COO da Prio Bio, durante a conferência “Os Biocombustíveis na Rota da Transição Energética”, organizada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
A empresa portuguesa é responsável não apenas pela produção de biocombustíveis. Mas também comercializa o Eco Diesel, B15, que poderá tornar-se, agora, um asset proibido. Anabela acrescenta que é necessário haver a possibilidade de os clientes escolherem o que querem usar. Para tal, quantas mais soluções energéticas, melhor.
Francisco Gírio, investigador do Laboratório Nacional de Energia e Geologia e um dos responsáveis pelo Plano de Ação para o Biometano, afirma que as políticas parecem ser contracorrente. E na verdade não se consegue fazer uma transição, quando parece que se está a voltar atrás.
Limitação europeia à mistura de biocombustíveis é paradoxal ao que a regulação europeia obriga.
Atualmente, no setor da aviação, por exemplo, obriga-se a uma incorporação de 2% de SAF. Aumentando para 6% em 2030. Se assim é, não faz sentido uma nova regra que proíba a mistura.
Aliás, no mesmo evento, e como explicou Marco Ferraz, da Galp, as empresas precisam de maiores apoios e fazer grandes investimentos. A energética nacional já aposta no processamento da matéria-prima de origem biológica (em Sines, por exemplo) – desta forma contribuindo para as incorporações (ou misturas) necessárias.
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