O potencial do biometano em Portugal é enorme. E é um caminho para a descarbonização na indústria.
Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o CEO da Rega Energy, Thomas Carrier, explica que o biometano, uma oportunidade de Portugal, é a resposta paralela à eletrificação. Acrescenta que se deve aproveitar a cadeia de valor para a sua produção, incluindo o know-how das pessoas, além da valorização da matéria-prima.
“O biometano não é só um desafio que vai ajudar as indústrias a descarbonizar. Também é uma solução muito, muito relevante para os agricultores, para a gestão dos seus resíduos.”, explica o gestor da REGA Energy, na entrevista.
De forma a valorizar as empresas e produtos, a REGA aposta em Portugal na indústria cerâmica e do vidro. E o objetivo é manter a qualidade que o país sempre demonstrou internacionalmente. Ao mesmo tempo, torna as operações mais sustentáveis, descarbonizando os processos.
Sabendo que a eletrificação não é possível acontecer em todas as áreas, embora seja uma meta da Comissão Europeia e no Governo Português, aqui tenta-se substituir o gás natural, por gás renovável.
Algo que, aliás, terá de ser pensado para todos os Estados-Membros, numa altura em que a indústria enfrenta desafios e forte concorrência internacional. O processo não pode passar pela igual substituição por produtos estrangeiros – é necessário criar resiliência e, como diz Thomas, “sobrevivência”.
Biometano, uma oportunidade de Portugal, às nossas mãos de produzir e explorar.
A REGA é bastante clara: Portugal tem tudo o que precisa. Potencial de biometano, com matéria-prima, cadeia de valor, capacitação de pessoal. E, ainda assim, estamos a demorar a desenvolver projetos. A empresa quer apostar na utilização de resíduos, estrume e chorume. Tudo feito cá dentro e com o apoio da, e para a produção agrícola. A valorização dos “sobrantes” da agricultura, é também uma maior-valia, até mesmo pela produção de adubos e fertilizantes naturais.
Quanto ao financiamento, a REGA Energy já tem contratos com investidores dedicados ao biometano. O que demora mais são as infraestruturas e licenciamento – que só agora começa a ser tratado, com o surgimento das primeiras fábricas para a produção do biogás. Thomas Carrier é, contudo, um otimista, como se auto-designa. A viver em Portugal, acredita que em breve o cenário será outro. E o que o biometano também virá para ficar.
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