Fleet Magazine
Biocombustíveis – energia de origem biológica, não fóssil, reduz emissões de CO2
A complexidade, os custos, o peso e a autonomia podem tornar inviável a eletrificação de alguns meios de transportes. Biocombustíveis vegetais com reciclagem de óleos alimentares para produzir novos combustíveis, numa espécie de fotossíntese artificial, pode ser uma das várias soluções tecnológicas, com o objetivo de reduzir o impacto ambiental do uso de recursos com origem fóssil
O aumento da eficiência energética é um aspeto essencial que permite, apenas com o recurso à inovação e ao desenvolvimento, fazer mais com menos. São várias as atividades onde este aumento se torna evidente, podendo destacar-se a iluminação LED em vez de lâmpadas incandescentes e, no caso dos veículos, a possibilidade de, com a mesma quantidade de combustível, um aumento poder percorrer distâncias cada vez maiores.
Se o recurso a fontes renováveis de energia tem vindo a ser feito de modo muito gradual e com bastante sucesso em vários sectores de atividade, a transição da utilização de combustíveis fósseis no campo dos transportes tem sido mais difícil.
A descarbonização da produção de eletricidade está a progredir e muitos modos de transporte podem ser eletrificados, mas é mais complexa, e por isso mais difícil, a eletrificação total de meios que precisam de cumprir grandes distâncias, sejam veículos ligeiros ou pesados de mercadorias, aviões e navios, ou, por exemplo, utilizados na produção agrícola. Estes veículos deverão exigir diferentes opções tecnológicas, possivelmente até a combinação de algumas já existentes ou em fase adiantada de desenvolvimento.
Biocombustíveis
Uma das opções que surge como mais viável e, de resto, já utilizada em pequenas quantidades, são os biocombustíveis incorporados nos combustíveis comerciais, em Portugal 7% de biodiesel no gasóleo e 5% de bioetanol na gasolina. O objetivo definido é aumentar para 10% nos próximos anos, tal como já acontece em França.
Na verdade, a utilização de biocombustíveis oferece uma opção renovável, com custo, volume, rede de distribuição e densidade energética similar à oferecida pelos combustíveis fósseis.
No entanto, a utilização de matérias-primas que são as mesmas empregues na alimentação humana e animal, como o milho, a cana-de-açúcar, a colza, a soja e a palma, estabelecem um limite na sua utilização e podem traduzir-se num impacto ambiental, a outro nível, que não pode ser desprezado.
Deste modo, mais opções terão de ser encontradas para o sector dos transportes, desde que contribuam para uma efetiva diminuição do impacto ambiental na produção da energia necessária para o fazer movimentar. (…)
Luís Ventura Serrano
Professor de Engenharia Automóvel, INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA
Artigo de Opinião AQUI