ABA comemora 7 anos de atividade e pretende concretizar muitos mais na defesa da descarbonização energética.
A Associação de Bioenergia Avançada – ABA comemora 7 anos de atividade trabalhando em prol da descarbonização do país. Contando com 25 associados e valorizando a cadeia entre recursos e matérias-primas até ao produto e subprodutos finais, a associação quer ir mais longe. Em entrevista à GreenSavers, Ana Calhôa, secretária-geral, torna-se porta-voz do setor, defendendo investimentos e projetos, com geração de maior valor económico e dinamização territorial.
“Uma das mudanças (no setor) verifica-se na diversificação das matérias-primas utilizadas na produção e importação de biocombustíveis, com uma valorização crescente de resíduos, subprodutos e matérias-primas avançadas.”, explica Ana Calhôa. É, diz, uma alteração até mesmo em termos políticos, passando a estar presente nas agendas dos principais partidos.
Com esta nova visão, garantiu-se ao longo dos últimos anos, uma aposta maior na economia e mercado circulares. Na recuperação de resíduos que, de outra forma seriam sempre descartados e não transformados em energia.
Outra das alterações, observa-se a nível de literacia da sociedade. Se antes o consumidor final não tinha qualquer conhecimento sobre o tema, hoje, já consegue compreender melhor o que são biocombustíveis e como podem ser usados.
A introdução de regras europeias, que obrigam os países cumprirem metas ambientais com “data marcada” é outro dos fatores que promoveu o crescimento e aproximação ao setor, pela parte de industriais, empresas e outros. Mas ainda há mais para concretizar.
O futuro passa pela legislação, força de vontade e atuação pragmática.
Para a ABA, o desenvolvimento de bioenergia avançada tem-se traduzido também pelo emprego de legislação adequada. Atualmente, aguarda-se a transposição da Diretiva europeia RED III para Portugal, o que também ajuda ao reconhecimento e à criação de condições para novos investimentos e parcerias de negócio.
A gestora afirma ainda que o documento deve igualmente estabelecer “mais do que metas claras e transparentes, um calendário previsível para a incorporação de biocombustíveis nos diferentes setores e que reconheça de forma autónoma o contributo destas soluções para a descarbonização da economia.”
Tendo em conta os dados apresentados pelo relatório semestral produzido, a ABA afirma que os biocombustíveis produzidos a partir de matérias-primas avançadas representam hoje a maioria das matérias-primas utilizadas. E Portugal apresenta-se como um importante polo de produção para a bioenergia avançada, através dos seus recursos endógenos, indústria e operadores.
Simultaneamente existe ainda grande margem para crescimento e operacionalidade para os biocombustíveis, mas uma vez mais implicará uma forte legislação e ambição para concretizar os projetos. Hoje em dia apenas é usada menos de 40% da capacidade total disponível para a produção de biocombustíveis.
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