Floene procura independência energética.
A Floene procura independência energética e a aposta no biometano poderá desempenhar um papel importante. Resíduos orgânicos como estrume de vaca, lixo urbano, caroços de azeitona e outros subprodutos agroindustriais permitem produzir um gás renovável com características semelhantes às do gás natural. Segundo a distribuidora de gás em Portugal, esta solução reforça a segurança do abastecimento energético, reduz a exposição às oscilações dos mercados internacionais e contribui para a descarbonização da economia.
A empresa já assinou cerca de 20 contratos para injeção de biometano na rede e considera possível atingir uma produção de 2,7 TWh até 2030, equivalente a cerca de 9% do gás atualmente distribuído no país.
Um estudo da Roland Berger citado pela Floene aponta mesmo para um potencial que permitiria substituir até 60% do gás distribuído com biometano, caso o setor seja plenamente desenvolvido. A distribuidora destaca ainda que a infraestrutura nacional de gás, uma das mais modernas da Europa, necessita de investimentos mínimos para integrar este combustível renovável.
Entre a descarbonização e a aplicação do biometano.
A Floene defende uma estratégia de descarbonização que combine eletrificação e gases renováveis, alertando que uma redução prematura do investimento nas redes de gás poderá aumentar os custos energéticos para consumidores e empresas. Paralelamente, sublinha que Portugal continua a importar praticamente todo o gás natural que consome, tornando urgente o aproveitamento dos recursos nacionais.
“A descarbonização do setor energético português deve assentar numa abordagem tecnológica equilibrada, capaz de combinar a eletrificação dos consumos com o desenvolvimento dos gases de origem renovável.”, indica Gabriel Sousa, CEO do grupo.
Contudo, organizações ambientais como a GEOTA reconhecem o potencial do biometano para valorizar resíduos e promover a economia circular, mas defendem que este combustível deve ser prioritariamente direcionado para os setores onde a eletrificação é mais difícil, em vez de justificar uma expansão generalizada das redes de distribuição.
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