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Transição não é radicalismo. Parece ser um slogan, mas foi o tema principal do BP Energy Outlook 2024.

 

Foi dentro da ideia que a transição energética não é radicalismo que ocorreu o BP Energy Outlook 2024, numa parceria com o jornal Expresso.

Num evento que contou com a participação de cientistas e representantes institucionais, a frase chave foi “transição não é radicalismo”.

Todos conhecem a profunda necessidade de mudança. Acelerar os processos de descarbonização da sociedade e atingirem-se metas ambientais. Contudo, no BP Energy Outlook 2024, todos também identificam a impossibilidade prática de alterações da noite para o dia. Uma sociedade que, no imediato, cortasse com a dependência de petróleo e derivados, seria uma sociedade que não sobreviveria. Podendo ter já várias ferramentas, ainda não é possível uma independência energética total (e “limpa”, ou “verde”).

O encontro, que teve lugar no edifício da Impresa, em Paço D’arcos, contou com a presença de Paulo Carmona, diretor-geral da DGEG, Teresa Ponce de Leão, presidente do LNEG, Nuno Lapa, professor e investigador da NOVA FCT, parceiro da PCBC e Rui Rei, presidente da Parques Tejo.

Fotografia a cores de Gustavo Paulo Duarte da transportadora Paulo Duarte, que participou no BP Energy Outlook 2024, cujo tema principal destacou o facto da transição não ser radicalismo, embora a descarbonização energética e social seja mandatória.

Transição não é radicalismo, mas é importante, necessária e urgente

Considerando então a clara necessidade para uma transição energética, que seja igualmente justa a nível social, tomou-se à partida que não poderá funcionar com radicalismos ou imposições. A começar, a política prevista para terminar com a comercialização de veículos a combustão em 2035, começa a ter cada vez mais vozes dissonantes, pelo que é preciso abrir portas aos mecanismos de baixo carbono.

De forma abrangente, todos os participantes também assumem que a capacidade de transição depende muito de país para país, tornando-se cada vez mais óbvia a questão de uma mudança equilibrada, parecer longe de ser realizada.
Paralelamente, foram identificados 2 óbvios pontos que devem ser tidos em linha de conta.

Em primeiro lugar, o momento de acelerar a própria transição, evitando os chavões da eletrificação e colocando o ónus também noutras alternativas. Combustíveis HVO, hidrogénio, biometano, podem e devem ser trabalhados para dar resposta aos diferentes setores industriais. Biocombustíveis e combustíveis sintéticos, bem como saber tratar a eficiência energética em Portugal e dar maior resposta aos licenciamentos.

E em segundo lugar, a impossibilidade de se “acabar com o petróleo”. A continuidade dos motores a combustão é necessária, e, quanto muito, poderá estar em linha com os novos combustíveis produzidos.

“Uma coisa é reduzir as emissões, a outra é reduzir as emissões e acabar com o petróleo”, declarou Gustavo Paulo Duarte, CEO da Transportes Paulo Duarte, que acredita ser essencial uma aposta na captura de CO2.

Para Nuno Lapa, a proposta à lei para 2035 “não foi um sinal positivo, porque desincentiva ao fabrico de biocombustíveis ou de combustíveis sintéticos”.

Mais produção, mais respostas alternativas são necessárias para fazer-se entender que existe capacidade. Faltará a vontade real para mudar?

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